Tuesday, January 30, 2007




















De olhos fechados.

Se posto que futuro é promessa e promessa racha...
Se posto que futuro é obscuro ou clarão...
À parte, o que me cabe é viver um dia de cada vez.
Intensamente.

Friday, January 26, 2007




















1º DE MAIO

Andar, andar, e apenas andar-me sem nada, no vazio das horas...
Flores na porta dos sonhos, sem cores!
Molduras ofuscadas, vivenciadas.
Vidas, amores...

Desliza sobre o ventre da noite
Miudezas de um dia caustico
Na simetria da aurora rachada
Embalo-me sou sonho senil...

Dessa quimera translúcida, o porvir afoga!
Os campos, esses fartos de grãos.
Ensejos, bocejos, seria delírio matinal?
Pois seja.

Thursday, January 25, 2007















Rabiscos de uma hora.

O Sol mais uma vez mostrou apenas um de seus olhos, brilhante e imponente, em uma tarde dessas onde os sonhos segregados afloram, pedem para transpor-se do peito. Quietos.
Estávamos lá, debaixo de árvores frondosas e imensas, os galhos pendiam como ondas que se quebram na areia. As folhas largas e secas caídas, amassadas por passos imaginários de quem por ali teve o prazer em passar. Senti-las em sombra e sol. Debruçadas. O pôr do sol foi registrado diante de olhos atentos. “Letônia”, um filme lembrado de décadas atrás.
Tarde com aquele alguém o qual contempla com o mínimo de seus detalhes, alguns nem mesmo aos olhos são perceptíveis, só podem ser sentidos. Sedentos por detalhes transparentes aos demais, os quais se dissipam dando lugar a novas particularidades.
Por fim, um abraço naquelas árvores; a descoberta que as nuvens em tons multicores ainda fazem desenhos indecifráveis, por minutos lembram almofadas onde anjos se deitam a espreitar o brilho da lua no alto. Tudo faz com que o dia se transforme, se cultivado atentamente de minuto a minuto, de hora em hora.

Monday, January 22, 2007















Flor de cera.

Desabrochou um pedaço de céu
O sol mostrou apenas um de seus olhos...

Estavamos lá.

Thursday, January 18, 2007




















Amigos.
Os grandes amigos não se fazem apenas de presença física, mas sim de entrega, de entrega em espirito-alma. Todos são passiveis de erros.
Alguns amigos são como geleiras, com a realidade forte como a de um sol escaldante que os acomete, derretem.
Somem.
São apenas amigos de gelo.

Já alguns amigos mesmo passiveis de erros, perduram, pois esse mesmo sol os alimenta.

Lucas 01/2007

Sunday, January 14, 2007

Cicatrizes

Quando lembro do que "passou", não sei se passou mesmo, pois tudo não deixa marcas? Esses que se escondem por traz de suas idéias de esquecimento fácil, desapego em um piscar de olhos, no fundo são os que guardam as lembranças mais penosas, são mais frágeis do que pensam, têm o maior dos medos; não saber lidar com as lembranças. Cicatrizes inerentes a todos.
As cultivamos sem perceber. O inconsciente é apenas mais um mundo à parte. Crie o seu, ou faleça nesse que acha palpável e concreto.

Friday, January 12, 2007















Como o céu tudo se renova.

E como impressiona o grau de envolvimento que se acaba tendo com certas "pessoas", não é um envolvimento, mas sim uma espécie de apego pelo qual nos sentimentos falsamente mais "seguros". É como algo o qual nos faz sentir como ilhas habitáveis, aqueles locais paradisíacos os quais seres raramente freqüentam, e por pouco tempo.Deixam-se marcas?
É óbvio que sim, mas na maioria das vezes são tênues, tênues e também fugazes são esses, os quais se mostram e depois de algum tempo se escondem.
É frágil como cristal, pois o tempo é o maior dos vilões para mentes as quais os esquecimentos, apegos e sentidos de algo mutuo perduram. Algumas pessoas são de gelo, com o tempo derretem, a que se respeitar, afinal sempre a máscara cai e os olhos e as atitudes serão denunciadores. A magia esta em saber que nem todos têm o mesmo grau de sensibilidade, isso é ótimo. A qualquer hora pode se magoar ou ser magoado, intencionalmente ou não.
Aprender a lidar com nossos próprios fantasmas é o maior dos desafios.
"Só ficarei ao seu lado se assim desejar" de resto, se foi, e felizmente veio a finitude.
Novos amigos, novos sonhos, novas realizações, novas decepções, novas amantes, novos olhares, novas árvores que se pedem em ruas ainda não transitáveis, novas canções e filmes, novas telas, estará tudo ai para se olhar, perceber e sentir.

Thursday, January 11, 2007
















A todas as ampulhetas de pedra.
Ampulheta de pedra

Desde o último dia do ano de 1989 aquele garoto de olhos castanhos fogo, cabelos e braços soltos, assim ao vento...Fez um coração no braço esquerdo, ficou como um selo. Herança de uma garota que vestia negro. Ambos vestiam. De cabeça baixa, lábios carnudos, usava sapados de coro, tinha corpo franzino. É certo que não dava importância às reuniões de família, só em caso extremo, tinha bom relacionamento com os pais, embora às vezes passace desapercebido por todos, desleixado? Talvez... Enquadrar-se a padrões do censo comum sempre parecia ser algo difícil. Não o fazia. Tinha sorriso tímido. Descrevê-lo é algo complicado, minucioso. Guardava folhas secas em uma agenda lilás. Todas de uma árvore ao fundo de uma casa com tijolos a vista. A casa era vazia, noutro lado da cidade, ninguém ia até lá, apenas Léo, o nome que lhe foi dado em homenagem a um Tio já falecido. As anotações eram feitas a lápis. Léo tinha os olhos sedentos. Um hábito estranho de sentar-se ao meio-fio. Perceber o movimento retilíneo das formigas gigantes. Adorava dias de chuva, mas abominava o guarda-chuva. A janela do seu quarto dava para o céu. Fato esse que lhe proporcionava aventurar-se com as cores da palheta escondida debaixo da cama. Ensaios noturnos. Madrugadas adentro. Demorou um bom tempo para tomar essa atitude. Suas decisões costumavam ser lentas, arrastadas. Fazia orações todas as noites.
Certo dia resolveu dar vida às tintas deixadas pelo seu vovô Nicolau, um Senhor distinto que viveu longos 98 anos, todos dedicados a ensinar a arte. O interesse mesmo que tardio abraçou-o. Estava ali incrustado. Com vazão repentina liberou-o como a um pássaro.
Aliada as canções e livros, tomavam seu tempo. Tentava preenchê-lo. Sentia extrema dificuldade em desfazer-se de adereços antigos. Sentia falta de alguém especial a qual conheceu naquele último dia do ano, casualmente. Foram acomeditos por olhares de canto em uma livraria central. Ali pesquisando novos títulos, percebeu escritas nas mãos. Léo sorri discretamente. – Nossa! Faz poesias nas mãos? Abre as mãos, posso vê-las?
Desde então se tornaram inseparáveis. Quando juntos, como se fosse combinado, ambos traziam cravos nos bolsos e papeis de seda. Ela, uma garota com nome de Beatriz-mas seu nome de batismo era Anna, tentava incessantemente fugir das determinações paternas. De tom carvão debaixo dos olhos, as unhas curtas, sem cor, cabelos avermelhados e de olhar penetrante, não gostava de andar de mãos dadas. Adorava subir em cima de edifícios altos, estendendo os braços tentava pegar nuvens.Timidez velada. Ouvir canções doces parecia ser o grande programa. Gastar o tempo de forma a não percebê-lo-ficava claro que essa era a intenção. Abrochavam-se afinidades. Encontros confidenciais na praça da cidade, sem hora marcada. Sempre no mesmo banco de madeira. Quantas confissões foram ditas ali? Todas ao pé do ouvido, com vozes finas e sutis. Não existia mais o tempo. Não esse tempo que todos conhecem e a todos consome. Apenas as mudanças do céu e das nuvens eram notadamente percebidas. O tempo agora emboscado. Transcendências. Plantaram algumas flores naquele jardim, rosas vermelhas, às vezes brancas. Algumas marcelas do campo.
Pular o vagões de um trem abandonado em dias de sol. Ali também trocavam postais da época vitoriana. Vinho tinto às cinco horas da manhã. Alguns hábitos tornaram-se insubstituíveis. Dessa maneira simples e tênue o tempo para Léo e Beatriz não existiu.
Foram três estações primaveris e um intenso inverno juntos. Tudo teve seu fim em um certo dia solar, quando se desabrochou um pedaço de céu-que já não era mais cinza, e assim o sol mostrou um de seu olhos. Tudo existiu, mesmo não existindo.

Lucas___01/2007

Friday, January 05, 2007





















Babybird

Depois de alguns anos sem gravar nada inédito, o querido e irônico Stephen Jones (Babybird) lança novo álbum "Between My Ears There's Nothing But Music".
Bem, como um admirador incondicional de seu trabalho tudo o que eu possa falar sobre essa banda, que se resume a Stephen Jones, posso soar suspeito, mas a facilidade em fazer canções Indiepop de grande versatilidade e docura, por vezes ácida é ainda seu ponto forte.Fez alguns shows,s de estréia em algumas cidades da Inglaterra, sempre em locais pequenos, intimistas, a interação com o publico nas apresentações é algo tão particular, isso deixa tudo uma grande festa! Salve, salve, ele teve um grande destaque na imprensa britânica nos anos 90,s, onde alcançou seu "auge", mas não caiu nas garras da mídia, suas canções ainda são subterrâneas, aqui no Brasil mais ainda...A música pop (alternativa) tem salvação sim.!


Kiss.

Wednesday, January 03, 2007















As azuis são tão lindas...

Poe-minha (2007)
Vem, deita seu dorso sobre o meu...
Curvando-te a mim os lábios rosados
Assim como vergam as árvores
Amedrontadas pela ventania medonha

Despeja-me olhares
Como quem cava jóia rara
Arroba-me o peito
Filtra (me)?

Transita em mim
Como pássaros que dormem em nuvens azuis
Depois, muito depois, como navio em fuga!
Partes e deixa-me a deriva...

Lucas___01/2007