Sunday, May 30, 2010

Espaço

De todas as lembranças; cravou-se em mim a saudável/saudade de seus olhos, lábios e pálpebras. Essa realidade pura e insana por vezes é insuportavelmente sem sabor.
Nada somos/seriamos sem os sonhos...
Espero por você entre linhas e o espaço superficial que nos separa, espero por você.

Eu.

Trinte e dois

Depois daquela chuva rápida de gotas finas ela cruzou a rua central da cidade baixa.
Trazia nos braços dois livros, tinham a capa manchada de sangue, ou seria resquícios de vinho da noite passada?
Onde atenuou a solidão em esquinas sem luz. A pagina trinta e dois marcada com uma folha azulada contia a poesia preferida, era de Rilke, seu poeta de todas as horas.
Mesmo de pálpebras cansadas, acesas agora pela luz do sol radiante, inclina seus braços lisos sobre o banco da praça deserta. Cicatrizes na calçada lilás denunciam apegos.
Descansa o corpo franzino.
Acometida por olhos de estranheza.
Retira do casaco de couro negro pedaço de seda em branco, despeja sensações rabiscadas a giz de cera. Brilham os lábios finos, são atrozes e insinuantes. No peito delineasse um nome feito com miçangas.
A noite encosta, continua denunciando sonhos, vigiando o céu.
Sondando as nuvens.
Depois de uma bela taça de vinho tinto, essas palavras avulsas libertaram-se.
Cansaço na retina dos olhos, a madrugada sobrevive.
Vivendo.

Eu.

Thursday, May 27, 2010

You

"O Sol é de intensidade tênue, perpassa a fresta da janela com formato oblíquo.
“Aquece espaços, até então intocáveis, abraça meu corpo franzino, diluindo-se como beijos de saudade.”
Sinto saudades de você, sem mesmo conhecê-la, sem mesmo nunca ter visto seus olhos, sinto saudades de você!
Agora, muito mais que ontem!


Eu.

Sunday, May 23, 2010

Isolation

O aspecto do “Isolamento" é de extrema complexidade, haja vista a nossa própria complexidade enquanto ditos "Seres Humanos", pois muitos de nossos atos classificados como globalizantes, inerentes a sociedade e também de extremo consumo, aos meus olhos são insólitos, impessoais e superficiais, sim, enquanto seres humanos na verdadeira acepção da palavra deveríamos ser sempre sociais/sociáveis, porém, não devemos esquecer que somos animais "racionais" seletivos, portanto sempre haverá entre as relações humanas ou pseudo humanas o processo da seletividade, não vamos e não temos o compromisso de sermos sociais com todos os que nos cercam, mesmo porque esse todo é um espectro de grande dimensão, não se pode caracterizar ou rotular alguém apenas pela maneira que se interelaciona com o outro, ao menos não em sua totalidade.
A seletividade sempre esteve presente, é historicamente construída ou idealizada.
A idéia de "Seres Humanos" falhos, influenciados pelo meio ou não, descontentes e principalmente alheios a conceitos de massa, podem perfeitamente servir como exemplo para o tal isolamento de alguns, isolamento esse que pode ter várias facetas. Definitivamente pensar apenas como um bando de gado, alienados, sem conceitos próprios e poder de abstração, nos torna apenas mais um no bando. Grupo o qual não me incluo, sem a menor pretensão de ser mais ou menos que meus pares, mas sim, diferente.
Poema que sintetiza tal modesta colocação:

Eu sairia agora.
Chove.
Eu costumo andar pelas ruas com árvores frondosas daqui, são muitas, elas pendem e se deitam até o asfalto, há ruas em que elas tocam o chão.
É bom, é ótimo, faz bem...
Eu gosto.
Gosto de amenidades, doçura, nesse "meio", não há como compartilhar com ninguém, então me lanço ao meu "eu" autista.

Eu.

*Autismo: Estado mental causado pela absorção em devaneios subjetivos e alheamento do mundo exterior.
Isso é tão necessário.
*In Memorian ( Ian Curtis - Joy Division)

"Auto-crime"

Toda e qualquer maneira repetitiva ou rotineira, deve ser considerada um "alto-crime" contra si mesmo.
A punição será fazer dos dias algo singular, incomparável e único.


Eu.

Furta-me

Só há um desejo em mim, de roubo, vêm e furta-me, leva-me contigo, em palavras e sonhos... Espero-te debaixo daquela sombra, por mais tênue que seja, leva-me?
Agora, de matéria, já é concretude.


Eu.

Sunday, May 16, 2010

Paradoxalmente

O “Amor” é naturalmente egoísta, porém, se posto que realmente é amor, sem aspas ou reticências, e sim, puro em si, será paradoxalmente "altruísta"

Eu.

Friday, May 14, 2010

Cravo nos lábios

Continua achando que a cor natural dos "olhos do céu" sempre será azul, mesmo depois de todas as tempestades, de todas.
Ficou o gosto de cravo nos lábios...

Eu.

Tuesday, May 11, 2010

A Montanha Mágica

A caminhar pelo vão da tarde lacunar sem motivos de partida ou chegada apenas caminhar...
Obstinação dolorosa em vislumbrar o fim da tarde.
Adentra ao celiféro inebriante da veracidade sonhadora da qual jamais pensou em deixar.
Os caminhos são tortuosos e íngremes como os sonhos que lhe acompanhavam, olhos avistam a distância, a grama verde macia como face nunca tocada.
Os pés já em ardência; o fim da tarde traz consigo a visão onírica de uma montanha mágica cercada por ciprestes e sombras a enfeitar a visão daquele caminhar.
O astro lunar clareia o pulsar, imaginar.
Seu sonhar.
Segue apenas a desfrutar por dentre a montanha mágica que esconde em si os segredos de todas suas dores, o ardor da descoberta é latente como uma rosa cor de sangue a cotejar.
As mãos tremiam, como se tocadas por anjos incandescentes, todos a festejar a vinda de mais um ser quimérico em busca das revelações até então escondidas.
Ecos de canções em lamúria e felicidade se espalhavam, criando uma atmosfera dispersa; ater-se ao semblante majestoso da figura onipotente diante ao santuário da dor que trazia em si, a cura para âmagos feridos, estende-se pela relva fria, em seu corpo e alma, o milagre da solidão.
Visão transcende diante da noite de desejos realizados, dores sepultadas e amores reavivados.
Tudo durante o caminhar até a montanha mágica que sempre existira em si.
Sobe até a montanha mágica de sua imaginação e sente o desejo realizado, pulsando em ti como um coração em desatino...

Eu.

Saturday, May 08, 2010

Esquinas

São em esquinas que te sondo
Quando o vento traça caminho em faces reclusas

São em esquinas que te vejo
Quando o sol encosta-se e às janelas se pendem
É nessa hora que te clamo
Quando se bordam nomes em frestas de porta

São em esquinas que te filtro
Quando se calam lábios em ruas vazias

Em esquinas onde se desatam nós
Abrocham-se mãos em pedestais de mármore
Retraem-se pernas em vidros de cristal
Afagam-se olhares em cortinas de linho

São em esquinas que te sondo
Quando debruço meu dorso franzino em seu peito inclinado

Deite
O peito
Calmo
Sereno
Sob minhas pernas...
São nessas esquinas de coração azulado que te tenho.

Eu.

Sunday, May 02, 2010

A Borboleta azulada que viveu mais de cinco dias

Porque essa inclinação em ficar te enchendo de confissões minhas?
Acredito em suas palavras. Confio em você.
Gosta da garota de pele alva.
Olhar sinuoso.
Cabelos vermelhos.
Unhas negras.
Anda com poesia nos olhos.
Senta-se no banco da praça mais deserta, debaixo da árvore mais velha, sob a sombra mais intensa.
Depois da chuva forte, bate o sino da igreja, vazia, ás 18:00 horas.
Caminha através de pessoas que não vê.
Detêm-se a pequenos detalhes de sombra e luz.
Passa por ela mais uma vez a borboleta que vive já há cinco dias.
Bate as asas azuladas.
Brilham.
O tom do céu muda com as horas.
Carrega na bolsa de coro desbotado o livro predileto.
Na pagina trinta e sete tem a poesia que mais gosta.
Rilke.
Solta-se.
De impulso derradeiro capta olhares das nuvens.
Agora límpidas.
Aprecia figuras de anjos medievais.
Direciona-se e debruça sobre o banco de madeira o corpo franzino.
Braços abertos.
Olhos de ferrugem.
Aquele olhar de cera que atravessa o sol.
Só a solidão ausenta-se.

Eu