Wednesday, June 29, 2011

Amar-te

Não importa quantos amores tera, mas sim a intensidade e pureza do único...


Eu.

Saturday, June 25, 2011

...

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.


Sobre a autora:

Clarice Lispector, (1920 — 1977) escritora, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.

Alma

"Tinha o grito de uma paixão impossível, encravado na retina a alma".



Ele.

Tuesday, June 21, 2011

Trinte e dois.

Depois daquela chuva rápida de gotas finas ela cruzou a rua central da cidade baixa.
Trazia nos braços dois livros, tinham a capa manchada de sangue, ou seriam resquícios de vinho da noite passada? Onde atenuou a solidão em esquinas sem luz. A página trinta e dois marcada com uma folha azulada contia a poesia preferida, era de Rilke, seu poeta de todas as horas. Mesmo de pálpebras cansadas, acesas agora pela luz do sol radiante, inclina seus braços lisos sobre o banco da praça deserta. Cicatrizes na calçada lilás denunciam apegos.
Descansa o corpo franzino. Acometida por olhos de estranheza. Retira do casaco de couro negro um pedaço de seda em branco, despeja sensações rabiscadas com giz de cera. Brilham os lábios finos, são atrozes e insinuantes.
No peito delineasse um nome feito com miçangas.
A noite encosta, continua denunciando sonhos, vigiando o céu.
Sondando as nuvens.

Depois de uma bela taça de vinho tinto, essas palavras avulsas libertaram-se.
Cansaço na retina dos olhos, a madrugada sobrevive.
Vivendo.

Eu.

Tuesday, June 14, 2011

Futuro

Se posto que futuro seja promessa e promessa racha.
Se posto que futuro seja obscuro ou clarão.
À parte, o que nos cabe é viver um dia de cada vez.
Intensamente.
Ao lado seu.
Do seu lado.
Lado alado.



Eu

Sunday, June 05, 2011

Mosteirô

A cobra verde aos pés, mas tu não és a Virgem, nem as cobras são fornicadoras de mulheres. Todas as espécies de Répteis e Anfíbios em Portugal estão protegidas. Chateiam-se e chateiam-me por dizer estas coisas, só os zoólogos dão valor a minhocas, sapos e formigas, mas Proteção é Proteção das Espécies, exceto a humana: Olha o que se passa agora em Israel, na Palestina, no Iraque! Matam-se uns aos outros, já lá vai o tempo em que as guerras se faziam com espadas e códigos de honra, em que havia paladinos do Amor que defendiam e protegiam as donzelas, os órfãos e as viúvas. Hoje atacam-se os civis, as crianças, mata-se covardemente à distância, em salas ovais, dando cliques com o mouse nas linhas azuis dos links.
Ninguém está protegido. Só as espécies animais e vegetais estão protegidas por lei. E de que lhes vale isso? Quem sabe? Quem lê?


Autora: Maria Estela Guedes

Sobre o autor:
Maria Estela Guedes é uma escritora portuguesa e idealizadora do site TriploV, um portal que coloca em contato as artes, as letras, as ciências e o esoterismo, Maria Estela Guedes é responsável por fomentar a publicação literária em Portugal.

Friday, June 03, 2011

Amigos

Os grandes amigos não se fazem apenas de presença física, mas sim de entrega, de entrega em espirito-alma.
Todos são passiveis de erros.
Alguns amigos são como geleiras, com o tempo e acometidos por um sol escaldante, derretem.
Somem.
São apenas amigos de gelo.
Já alguns amigos, mesmo passíveis de erros, perduram, pois, esse mesmo sol os alimenta.
Alimentando-nos juntos.
O mundo sente falta de amigos na verdadeira acepção da palavra.
Escolho meus amigos pela retina.

Eu.

...

Não passe como uma ventania ligeira ou apressada, mas sim como uma brisa leve e suave, que acaricia a pele.
Passe sempre, quem sabe um dia "fique".

A chuva fina e silenciosa veio de repente; fiquei todo molhado, foi proposital.
Adorei.
Ela ainda escorre pelo vão da janela e faz um barulho de "Jazz" batendo na calha.
Ela, a chuva.


Eu.