Wednesday, December 09, 2009

Eu.

O que me preocupa é ser seletivamente exagerado, nós "Seres dito Humanos" temos a tendência de avaliar as pessoas de fora para dentro, é perigoso, um perigo inerente, eu sei, mas o ideal é uma análise de dentro para fora, poucos fazem isso, poucos que são a minoria.
Mas é muito bom fazer parte dessa "Minoria", se paga um preço, mas é válido, extremamente válido.
Mesmo porque, fazer parte da "massa" povão alienado que pensa da mesma maneira, isso não é pra mim, não mesmo.
Não há aqui nenhum valor em relação à ser mais que alguém, definitivamente não, apenas ser essência por essência...
Alguém.


Eu.

Sunday, December 06, 2009

Você

Deitado em seu colo como criança quando se aninha em coração de mãe.
Como árvores que inclinam-se com a ventania.
Do dia de hoje, só lembro-me de nós no dia de ontem...
Foi singular, puro e terno, como deve ser.


Eu.

Lado alado.

Se posto que futuro seja promessa e promessa racha.
Se posto que futuro seja obscuro ou clarão.
À parte, o que me cabe é viver um dia de cada vez.
Intensamente.
Ao lado seu.
Do seu lado.

Eu.

Saturday, December 05, 2009

O som do silêncio é incolor...

Eram perceptíveis apenas as folhas, as sentia com os dedos dos pés.
De mãos ao vento, como quem corta o céu em linhas e faz desenhos em nuvens, seguia. Andar por sobre a grama verde em dias cinza. Seu andar era lento, pernas curtas, não tinha muito alcance com os braços finos. Esmagava folhas secas com a palma das mãos, matinha um gosto amargo nos lábios. Com baixo tom de voz. Olhar distante. Cabelos eriçados e pele alva. Olhava-se no espelho ao menos três vezes ao dia, e o que via? Alguém incomum, diferente. Por vezes atônito, a um passo da despedida insólita. Anel cor de sangue na mão direita. Andava diariamente pela aquela viela de pedras soltas, ar pesado. Lenço lilás no pescoço. Unhas negras e dedos curtos. Preencher espaços ainda não habitados perecia ser a intenção. Sorrateiramente inclinando-se entre dia e noite. Tardes outonais eram descritas em folha branca. Letras escondidas debaixo da cama prateada., na janela apenas um vaso amarelado e sem flores. Regar o que ali? Observava quando o sol se punha, todo o dia era assim, com ou sem chuva. Não dava ouvidos aos desavisados, aqueles que não percebiam a cor do céu nem as aves que revoavam continuamente aquele povoado deserto e sem luz. Tudo perecia conter algo de inédito. Ainda não contemplado por aqueles olhos cor de brasa. Definitivamente é de impressionar a sagacidade que traz nesses olhos, algo íntimo sempre acontecia, mudava repentinamente. Sem hora marcada ou movimentos estudados.
Uma vontade tênue e lilás de surpreender-se. A cada segundo o silêncio é cultuado divinamente. Sem deixar transparecer um semblante preocupado ou tenso. Calmaria.
É o que tomava conta, parecia viver entre um misto de devoção e alienação desmedida. Por escolha talvez. Quem sabe? Esse hábito de brincar com palavras foram-lhe tomando aos poucos. Assim gradativamente. A modéstia agora dava lugar ao único e improvável momento de espera. O futuro caracterizava-se como a maior das promessas mal contadas.
Apesar de certo apreço por multicores, às vezes tudo à volta lhe parecia monocromático. Essa vontade latente que pairava em tecer nos dias algo supremo.
Ver um mundo caótico ao avesso. – O silêncio lhe dizendo:
- No final daquele poço há mais um estúpido querendo lhe jogar a corda.
Deixaria que o afogamento fosse divino e único?
O medo agora era medo de não tentar. Após debruçar-se sobre aquela calçada fria, pensou. Pensou muito sobre como descreveria aquele novo momento de silêncio.


Eu.