Monday, December 27, 2010

Indefinível

Definir algo indefinível é como contemplar o incontemplável, completar o perene incompleto, mensurar o imensurável, propor infinitude ao finito. Diante de (in) definições, o amor não é definível, e sim vivenciado cotidianamente.

Eu.

Tuesday, December 14, 2010

Esquinas

São em esquinas que te sondo
Quando o vento traça caminho em faces reclusas
São em esquinas que te vejo
Quando o sol encosta-se e às janelas se pendem
É nessa hora que te clamo
Quando se bordam nomes em frestas de porta
São em esquinas que te filtro
Quando se calam lábios em ruas vazias

Em esquinas onde se desatam nós
Abrocham-se mãos em pedestais de mármore
Retraem-se pernas em vidros de cristal

São em esquinas que te sondo
Quando debruço meu dorso franzino em seu peito inclinado
Deite
O peito
Calmo
Sereno
Sob minhas pernas...
É nessas esquinas de coração azulado que te tenho.

Eu.

Monday, December 06, 2010

Depois de você

Desabrocham lábios em nuvens lilases
Brilham no espelho meus cabelos de areia


Eu.

Friday, December 03, 2010

“É preciso que a História deixe de nos aparecer como uma necrópole adormecida onde só passam sombras despojadas de substâncias.
É preciso que, no velho palácio silencioso da luta, todos cobertos da poeira do combate, do sangue coagulado do monstro vencido e que, abrindo as janelas de par em par, avivando as luzes e restabelecendo o barulho despertem com a própria vida, com a vossa vida quente e jovem, a vida gelada da princesa adormecida.”

Lucien Febvre, Combates pela História (1952).

Tuesday, November 23, 2010

...

"A não socialização ou a sociopátia, apresentam-se como auto-defesa de alguns, haja visto a vulgarização de certos valores ditos sociáveis e/ou socializantes"
Inerente.



Dele.

Monday, November 15, 2010

Lilás

Deitado em seu colo como criança quando se aninha em coração de mãe.
Debrucei...
Como árvores que se inclinam com a ventania voraz.
Do dia de hoje, só lembro-me de nós no dia de ontem...
Um pedaço de noite cai, escorre pouca luz pela fresta da janela.
O Mar e o banco, o mar o banco e nós, é o que basta!
Cumplicidade.


Eu.

Friday, November 05, 2010

Filosofia de calçada.

Essa "pseudo-invasão" de seu espaço tem um motivo nada convincente, aliás, julgo que seja essa, realmente uma invasão, posto que tal colocação nada represente em especial pra ti, porém a partir desses meus princípios arcaicos e redundantes, vejo em ti palavras que fogem dos conceitos de "massa", conceito o qual vejo como uma linha tênue entre eu e o outro, em suma, esqueça essa minha caduca pseudo prolixidade, e saiba que gostei de suas palavras em relação a algo que me consta.
“Fugir” de conceitos tão mensuráveis.
Aceita tomar um chá às 02h00min da madrugada?


Eu.

Thursday, October 28, 2010

Amigos

Os grandes amigos não se fazem apenas de presença física, mas sim de entrega, de entrega em espirito-alma.
Todos são passiveis de erros.
Alguns amigos são como geleiras, com o tempo e acometidos por um sol escaldante, derretem.
Somem.
São apenas amigos de gelo.
Já alguns amigos, mesmo passíveis de erros, perduram, pois, esse mesmo sol os alimenta.
Alimentando-nos juntos.
O mundo precisa de mais amigos.
Amigos na verdadeira acepção da palavra.


Eu.

Saturday, October 09, 2010

A Janela e a Persiana

Do alto daquela janela é possível perceber os transeuntes que passam na avenida movimentada, acometidos pelo tempo e hora, a pontualidade que a todos consome é nítida como as nuvens em tom cinza que circundam o céu rebuscado.
Daquela janela ainda restam resquícios de pingos de chuva, que passou logo pela manhã, com pó acumulado, do lado de fora, borrou o vidro.
Deixou o clima frio e aconchegante, aqueceu seus pés.
Com meia e sapato descolorido.
Esse clima tardiamente invernal traz consigo sutilezas, apegos e liberdade assistida.
A Insistente idéia de “nadar contra a maré” não foi abandonada, apenas repensada, trilhar novos caminhos não significa necessariamente abandonar os já trilhados, o suor têm seu preço e a recompensa é duradoura.
Recuar alguns passos para futuramente andar vários.
Adiante, pode ser uma lógica.
Seus olhos estão direcionados para a subjetividade, a concretude de existências pode ser pura utopia, ou não, o caminho a percorrer é a meta.
A relação com seus pares, essa em determinados momentos, torna-se difusa, sempre foi, sempre será, talvez esse não seja o aspecto a ser ressaltado, mas sim sua absorção e relação com o meio.
Alguns padrões nasceram prontos, outros devem ser relativizados, desconstruidos, (re)feitos.
A janela angular tem extrema proximidade com aquela persiana, a qual cobre seus olhos em dias e noites de apreciação, o ato de “afrontá-la”, para que a possibilidade do vislumbramento exista em um mundo de possibilidades, com suas mesmices, fugas e audácia.
Proporciona a recusa em optar apenas por meios lícitos com os quais a maioria pensa e sonha em seguir, tudo não passa de uma opção barata.
“A verdadeira” opção cerca-se de abstração do meio, improvável para muitos, opção para poucos, esse limiar é cinza e azul, como os dias que se observa por detrás daquela persiana, a janela é apenas o ponto de partida, à ação é o impulso dos olhos, o que captar?
Por quê?
Abstrair-se ou não?
As respostas estão na retina dos olhos, na racionalização de si mesmo, tarefa árdua e complexa.
Naquele dia, racionalizou e apenas decidiu mudar o ângulo de visão, abrir à persiana e perceber que ainda escorriam pingos de chuva na janela.

Eu.

Friday, September 10, 2010

Sonho meu

Todos os sonhos são passíveis de realização, porém, alguns ditos e/ou tidos como inatingíveis, concretizam-se além da retina dos olhos, não são/serão jamais visíveis.

Eu.

Wednesday, September 08, 2010

Um dia de cada Vez

Se posto que futuro seja promessa e promessa racha.
Se posto que futuro seja obscuro ou clarão.
À parte, o que me cabe é viver um dia de cada vez.
Intensamente.
Ao lado seu.
Do seu lado.

Eu.

"Novo"

Não há mais nada de "novo" no novo, pois tudo não passa de uma recriação "nova" do velho.


Eu.

Monday, September 06, 2010

Pedido

Desde ontem, logo pela manhã, ele pediu-lhe descompassadamente que fique apenas mais um segundo, assim, olhando e contemplando os poucos momentos que restam para o sol esconder-se, nesse final de tarde, o qual estará vivo por dentre todos os dias...


Eu.

Friday, September 03, 2010

Valores

Com a perca de valores afetivos as pessoas têm imensas dificuldades de manter relações de fidelidade e companheirismo pessoal-afetivo, muitos dos quais me vejo incluído.
( e excluído ao mesmo tempo)
Paradoxo.
Tentam de todas as formas, e na hora certa, mostrarem quem são o que pensam o que sentem o que oferecem, mas não é o suficiente, “os do lado de lá” não valorizam, em sua maioria, acham graça e jogam fora o que nunca mais poderão ter, ou sentir... Para os do lado de cá, é como entrar sem ser convidado!

Eu.

Saturday, August 21, 2010

Trinta e Dois

Depois daquela chuva rápida de gotas finas ela cruzou a rua central da cidade baixa.
Trazia nos braços dois livros, tinham a capa manchada de sangue, ou seriam resquícios de vinho da noite passada? Onde atenuou a solidão em esquinas sem luz. A pagina trinta e dois marcada com uma folha azulada contia a poesia preferida, era de Rilke, seu poeta de todas as horas. Mesmo de pálpebras cansadas, acesas agora pela luz do sol radiante, inclina seus braços lisos sobre o banco da praça deserta. Cicatrizes na calçada lilás denunciam apegos.
Descansa o corpo franzino. Acometida por olhos de estranheza. Retira do casaco de couro negro pedaço de seda em branco, despeja sensações rabiscadas com giz de cera. Brilham os lábios finos, são atrozes e insinuantes. No peito delineasse um nome feito com miçangas.
A noite encosta, continua denunciando sonhos, vigiando o céu. Sondando as nuvens.
Depois de uma bela taça de vinho tinto, essas palavras avulsas libertaram-se.
Cansaço na retina dos olhos, a madrugada sobrevive.
Vivendo.


Eu.

Monday, August 09, 2010

Torpor

A "Brutalidade" de um novo poema ainda não regurgitado vem-me, aliado ao torpor de palavras descritas no âmago.
Hoje mais que ontem.
Esvaindo-se inconscientemente pela fresta dos meus lábios.


Eu.

Saturday, July 31, 2010

Pela manhã (Garota com sabor de cravo nos lábios )

As nuvens lá fora estão distantes, muito distantes, o sol aponta no céu.
Esses dias sempre nos oferecem possibilidades até então impossíveis, nesses últimos dias, aqui nessa região, captar o céu em seu estado puro, totalmente azul, aquele azul dos sonhos, lindo, poucas nuvens suspensas ao longe, lembram almofadas de algodão, aquela vontade que vêm de sentar-se. Eu sempre me repito, mas qual beleza única e pura não deverá ser relembrada e sentida? Poucas são as pessoas que “cultuam” olhar o céu e contempla-lo, poucas, talvez haja uma explicação concreta para isso, esse tempo voraz que a todos consome que há todos acorrenta. Confesso, é preciso “fugir” desse estado de putrefação da sensibilidade, esse estado que todos têm, mas poucas percebem. Quebrar as “regras” da mesmice não é nada fácil, aliás, poucos conseguem faze-lo, se tornou um desafio nos dias atuais, fazer cada dia valer mais e mais, dedicar um sorriso ao desconhecido, um abraço a alguém o qual não se vê há tempos, amenidades as quais fazem extrema diferença no especo que nos separa, eu e você, no especo que separa todos de todos. Sentar-se na calçada e observar o movimento cadenciado das formigas me parece algo interessante, haja vista o que nos cerca lá fora, não abro mão disso, jamais. As borboletas e suas multicores, silhuetas ainda continuam sendo um dos grandes “vícios” aos meus olhos, assim como as pálpebras assistidas em corredores e vielas. Continuo seguindo o caminho que às vezes me parece mais ingrime, mas não há volta ele é único e certeiro é o caminho das flores e espinhos é o caminho do amor e do ódio da paz e da guerra, da felicidade ou tristeza, tudo depende como andarmos nele.
Nós o fazemos, talvez em parte, mas o fazemos...
Como o tempo muda, rápido assim, já não esta mais aquele céu azul, agora um tom cinzento tomou conta de tudo atrás da janela.
Mesmo assim ainda é passível da mesma contemplação.

De todas as lembranças; cravou-se em mim a saudável/saudade de seus olhos, lábios e pálpebras.
Essa realidade pura e insana por vezes é insuportavelmente sem sabor.
Nada somos/seriamos sem os sonhos...
Espero por você entre linhas e o espaço superficial que nos separa, espero por você.


Eu.

...

Tudo mudou. Homens, coisas e animais mudaram de lã ou de pele. As palavras já não são as mesmas do tempo em que estudávamos gramática com os olhos míopes das professoras. Nádegas e pernas das mestras – objeto direto do nosso desejo – ofuscavam o interesse pela didática. Olho o mundo de todos os ângulos possíveis e tudo me parece oblíquo. É a civilização globalizada, a cultura de massa, a sagração do factóide, a fragmentação dos idiomas. Corta-se a palavra em frações microscópicas. A vida, o amor, a morte, a realidade:
tudo agora virou fast food.

*Sobre o autor:
Cearense, Francisco Carvalho nasceu em 1927 em São Bernardo das Russas, interior do Ceará. Poeta e ensaísta, é conhecido por seu valor literário e reverenciado pelos mais diversos críticos do país.

...

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.


*Sobre a autora:
Clarice Lispector, (1920 — 1977) escritora, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.

Wednesday, July 21, 2010

Andara

Andando em dias de céu azul, pele alva, arde com o sol forte.
Queima, assim como paixões em semanas despedaçadas.
Andar em ruas de calçadas paralelas, olhos se alimentam de olhos.
Mãos devidamente amparadas por minúsculas ampolas de sal, caustico e frio.
Coração pulsa em batidas avulsas, desmedidas são as horas, solitárias depois das 6 da tarde, com ela.
Sonhos trilhados em linhas retilíneas sobem e descem, montanhas sem queda.
Lábios de carvão, umedecidos pela garoa fina, chuva de plástico.
Pétalas roxas habitam a caixa desbotada, presente sem cor em dias de luto.
Movimentos disformes sob a cama angular, fragrâncias no cetim.
Orações quando o sol se põe, saudades invisíveis.
Visíveis com ela.
Pés descalços sobre a grama azulada.
Amigos de gelo.
Amores flutuantes, espuma de vidro.
No brilho da estrela cintilante, esconde-se a promessa desfeita, efêmera.


Eu.

Poesia feita na palma das mãos

Pintei o chão com giz em brasa
Gelo nos lábios
Agora, só a chuva apaga.
Cachoeira sem queda
Carvão na linha dos olhos
Umedecidos pela chuva
Abrem-se os poros
Abraços desmedidos, retorcidos!

Fugazes lembranças
Ardem os olhos
Lembra aqueles dias de criança?
Dádiva de um anjo azul...
Nuvens em forma de almofadas
Atenho-me nas quimeras
Continuo a voar, agora sem asas...

Eu.

Sunday, July 11, 2010

Monocromático

Tenho visto a vida em preto e branco, monocromático são os tons.
As palavras têm pele, as sinto, transpiro.
Assim, as liberto!

Eu.

Tuesday, July 06, 2010

Ampulheta de pedra

Desde o último dia do ano de 1989, aquele garoto de olhos castanhos fogo, cabelos e braços soltos, assim ao vento...
Fez um coração no braço esquerdo, ficou como um selo.
Herança de uma garota que vestia negro.
Ambos vestiam. De cabeça baixa, lábio carnudo usava sapado de coro, tinha corpo franzino.
É certo que não dava importância às reuniões de família, só em caso extremo, tinha bom relacionamento com os pais, embora às vezes passace despercebido por todos, desleixado? Talvez... Enquadrar-se a padrões do censo comum sempre parecia ser algo difícil. Não o fazia.
Tinha sorriso tímido. Descrevê-lo é algo complicado, minucioso.
Guardava folhas secas em uma agenda lilás. Todas de uma árvore ao fundo de uma casa com tijolos a vista.
A casa estava vazia, noutro lado da cidade, ninguém ia até lá, apenas Léo, o nome que lhe foi dado em homenagem a um Tio já falecido.
As anotações eram feitas a lápis. Léo tinha os olhos sedentos.
Um hábito estranho de sentar-se ao meio-fio, e perceber o movimento retilíneo das formigas "gigantes". Adorava dias de chuva, mas abominava o guarda-chuva.
A janela do seu quarto dava para o céu. Fato esse que lhe proporcionava aventurar-se com as cores da palheta escondida debaixo da cama.
Ensaios noturnos. Madrugada adentra. Demorou um bom tempo para tomar essa atitude. Suas decisões costumavam ser lentas e arrastadas. Fazia orações todas às noites.
Certo dia resolveu dar vida às tintas deixadas pelo seu vovô Nicolau, um senhor distinto, que viveu longos 98 anos, todos dedicados a ensinar a arte.
O interesse, mesmo que tardio abraçou-o. Estava ali incrustado.
Com vazão repentina, libertou-se como a um pássaro de asas azuis.
Aliada as canções e livros, tomavam seu tempo. Tentava preenchê-lo.
Sentia extrema dificuldade em desfazer-se de adereços antigos.
Sentia falta de alguém especial a qual conheceu naquele último dia de ano, casualmente.
Foram acomeditos por olhares de canto em uma livraria central, ali pesquisando novos títulos, percebeu escritos em suas mãos.
Léo sorri discretamente. – Nossa! Faz poesias nas mãos?
Abre as mãos, posso vê-las?
Desde então se tornaram inseparáveis. Quando juntos, como se fosse combinado, ambos traziam cravos nos bolsos e papeis de seda.
Ela, uma garota com nome de Beatriz-mas seu nome de batismo era Anna-tentava incessantemente fugir das determinações paternas.
De tom carvão debaixo dos olhos, as unhas curtas, sem cor, cabelos avermelhados e de olhar penetrante, não gostava de andar de mãos dadas.
Adorava subir em cima de edifícios altos, estendendo os braços tentava pegar as nuvens.
Timidez velada.
Ouvir canções doces parecia ser o grande programa. Gastar o tempo de forma a não percebê-lo, ficava claro que essa era a intenção.
Abrochavam-se afinidades.
Encontros confidenciais na praça da cidade, sem hora marcada.
Sempre no mesmo banco de madeira. Quantas confissões foram ditas ali? Todas ao pé do ouvido, com vozes finas e sutis.
Não existia mais o tempo. Não esse tempo que todos conhecem e a todos consome. Apenas as mudanças do céu e das nuvens eram notadamente percebidas.
O tempo agora emboscado. Transcendências.
Plantaram algumas flores naquele jardim, rosas vermelhas, às vezes brancas.
Algumas marcelas do campo.
Pular os vagões de um trem abandonado em dias de sol.
Ali também trocavam postais da época vitoriana.
Vinho tinto às cinco horas da manhã.
Alguns hábitos tornaram-se insubstituíveis.
Dessa maneira simples e tênue o tempo para Léo e Beatriz não existiu.
Foram três estações primaveris e um intenso inverno juntos.
Tudo teve seu fim em um certo dia solar, quando desabrochou um pedaço de céu, e já não era mais cinza, e assim o sol mostrou um de seus olhos.
Tudo existiu, mesmo não existindo.

Eu.

Tuesday, June 15, 2010

(in) avesso

O meu avesso me refaz.
Sou mais eu do lado avesso...
O Avesso que condena, liberta e denuncia.
Sou mais eu do lado (in) avesso.

Eu.

Friday, June 11, 2010

(Os poetas)

Seres de sangues incoaguláveis, de feridas abertas e incuráveis, seres que precisam sentir em dobro para traduzir o que outros sentem, esses são os poetas. Poetas não nascem para ter, nascem para sentir falta.

Dalton Menezes

Tuesday, June 08, 2010

O som do silêncio é incolor

Eram perceptíveis apenas as folhas, as sentia com os dedos dos pés.
De mãos ao vento, como quem corta o céu em linhas e faz desenhos em nuvens, seguia. Andar por sobre a grama verde em dias cinza. Seu andar era lento, pernas curtas, não tinha muito alcance com os braços finos. Esmagava folhas secas com a palma das mãos, matinha um gosto amargo nos lábios. Com baixo tom de voz. Olhar distante. Cabelos eriçados e pele alva. Olhava-se no espelho ao menos três vezes ao dia, e o que via? Alguém incomum, diferente. Por vezes atônito, a um passo da despedida insólita. Anel cor de sangue na mão direita. Andava diariamente pela aquela viela de pedras soltas, ar pesado. Lenço lilás no pescoço. Unhas negras e dedos curtos. Preencher espaços ainda não habitados perecia ser a intenção. Sorrateiramente inclinando-se entre dia e noite. Tardes outonais eram descritas em folha branca. Letras escondidas debaixo da cama prateada., na janela apenas um vaso amarelado e sem flores. Regar o que ali? Observava quando o sol se punha, todo o dia era assim, com ou sem chuva. Não dava ouvidos aos desavisados, aqueles que não percebiam a cor do céu nem as aves que revoavam continuamente aquele povoado deserto e sem luz. Tudo perecia conter algo de inédito. Ainda não contemplado por aqueles olhos cor de brasa. Definitivamente é de impressionar a sagacidade que traz nesses olhos, algo íntimo sempre acontecia, mudava repentinamente. Sem hora marcada ou movimentos estudados.
Uma vontade tênue e lilás de surpreender-se. A cada segundo o silêncio é cultuado divinamente. Sem deixar transparecer um semblante preocupado ou tenso. Calmaria.
É o que tomava conta, parecia viver entre um misto de devoção e alienação desmedida. Por escolha talvez. Quem sabe? Esse hábito de brincar com palavras foram-lhe tomando aos poucos. Assim gradativamente. A modéstia agora dava lugar ao único e improvável momento de espera. O futuro caracterizava-se como a maior das promessas mal contadas.
Apesar de certo apreço por multicores, às vezes tudo à volta lhe parecia monocromático. Essa vontade latente que pairava em tecer nos dias algo supremo.
Ver um mundo caótico ao avesso. – O silêncio lhe dizendo:
- No final daquele poço há mais um estúpido querendo lhe jogar a corda.
Deixaria que o afogamento fosse divino e único? O medo agora era medo de não tentar. Após debruçar-se sobre aquela calçada fria, pensou.
Pensou muito sobre como descreveria aquele novo momento de silêncio.

Eu.

Sunday, May 30, 2010

Espaço

De todas as lembranças; cravou-se em mim a saudável/saudade de seus olhos, lábios e pálpebras. Essa realidade pura e insana por vezes é insuportavelmente sem sabor.
Nada somos/seriamos sem os sonhos...
Espero por você entre linhas e o espaço superficial que nos separa, espero por você.

Eu.

Trinte e dois

Depois daquela chuva rápida de gotas finas ela cruzou a rua central da cidade baixa.
Trazia nos braços dois livros, tinham a capa manchada de sangue, ou seria resquícios de vinho da noite passada?
Onde atenuou a solidão em esquinas sem luz. A pagina trinta e dois marcada com uma folha azulada contia a poesia preferida, era de Rilke, seu poeta de todas as horas.
Mesmo de pálpebras cansadas, acesas agora pela luz do sol radiante, inclina seus braços lisos sobre o banco da praça deserta. Cicatrizes na calçada lilás denunciam apegos.
Descansa o corpo franzino.
Acometida por olhos de estranheza.
Retira do casaco de couro negro pedaço de seda em branco, despeja sensações rabiscadas a giz de cera. Brilham os lábios finos, são atrozes e insinuantes. No peito delineasse um nome feito com miçangas.
A noite encosta, continua denunciando sonhos, vigiando o céu.
Sondando as nuvens.
Depois de uma bela taça de vinho tinto, essas palavras avulsas libertaram-se.
Cansaço na retina dos olhos, a madrugada sobrevive.
Vivendo.

Eu.

Thursday, May 27, 2010

You

"O Sol é de intensidade tênue, perpassa a fresta da janela com formato oblíquo.
“Aquece espaços, até então intocáveis, abraça meu corpo franzino, diluindo-se como beijos de saudade.”
Sinto saudades de você, sem mesmo conhecê-la, sem mesmo nunca ter visto seus olhos, sinto saudades de você!
Agora, muito mais que ontem!


Eu.

Sunday, May 23, 2010

Isolation

O aspecto do “Isolamento" é de extrema complexidade, haja vista a nossa própria complexidade enquanto ditos "Seres Humanos", pois muitos de nossos atos classificados como globalizantes, inerentes a sociedade e também de extremo consumo, aos meus olhos são insólitos, impessoais e superficiais, sim, enquanto seres humanos na verdadeira acepção da palavra deveríamos ser sempre sociais/sociáveis, porém, não devemos esquecer que somos animais "racionais" seletivos, portanto sempre haverá entre as relações humanas ou pseudo humanas o processo da seletividade, não vamos e não temos o compromisso de sermos sociais com todos os que nos cercam, mesmo porque esse todo é um espectro de grande dimensão, não se pode caracterizar ou rotular alguém apenas pela maneira que se interelaciona com o outro, ao menos não em sua totalidade.
A seletividade sempre esteve presente, é historicamente construída ou idealizada.
A idéia de "Seres Humanos" falhos, influenciados pelo meio ou não, descontentes e principalmente alheios a conceitos de massa, podem perfeitamente servir como exemplo para o tal isolamento de alguns, isolamento esse que pode ter várias facetas. Definitivamente pensar apenas como um bando de gado, alienados, sem conceitos próprios e poder de abstração, nos torna apenas mais um no bando. Grupo o qual não me incluo, sem a menor pretensão de ser mais ou menos que meus pares, mas sim, diferente.
Poema que sintetiza tal modesta colocação:

Eu sairia agora.
Chove.
Eu costumo andar pelas ruas com árvores frondosas daqui, são muitas, elas pendem e se deitam até o asfalto, há ruas em que elas tocam o chão.
É bom, é ótimo, faz bem...
Eu gosto.
Gosto de amenidades, doçura, nesse "meio", não há como compartilhar com ninguém, então me lanço ao meu "eu" autista.

Eu.

*Autismo: Estado mental causado pela absorção em devaneios subjetivos e alheamento do mundo exterior.
Isso é tão necessário.
*In Memorian ( Ian Curtis - Joy Division)

"Auto-crime"

Toda e qualquer maneira repetitiva ou rotineira, deve ser considerada um "alto-crime" contra si mesmo.
A punição será fazer dos dias algo singular, incomparável e único.


Eu.

Furta-me

Só há um desejo em mim, de roubo, vêm e furta-me, leva-me contigo, em palavras e sonhos... Espero-te debaixo daquela sombra, por mais tênue que seja, leva-me?
Agora, de matéria, já é concretude.


Eu.

Sunday, May 16, 2010

Paradoxalmente

O “Amor” é naturalmente egoísta, porém, se posto que realmente é amor, sem aspas ou reticências, e sim, puro em si, será paradoxalmente "altruísta"

Eu.

Friday, May 14, 2010

Cravo nos lábios

Continua achando que a cor natural dos "olhos do céu" sempre será azul, mesmo depois de todas as tempestades, de todas.
Ficou o gosto de cravo nos lábios...

Eu.

Tuesday, May 11, 2010

A Montanha Mágica

A caminhar pelo vão da tarde lacunar sem motivos de partida ou chegada apenas caminhar...
Obstinação dolorosa em vislumbrar o fim da tarde.
Adentra ao celiféro inebriante da veracidade sonhadora da qual jamais pensou em deixar.
Os caminhos são tortuosos e íngremes como os sonhos que lhe acompanhavam, olhos avistam a distância, a grama verde macia como face nunca tocada.
Os pés já em ardência; o fim da tarde traz consigo a visão onírica de uma montanha mágica cercada por ciprestes e sombras a enfeitar a visão daquele caminhar.
O astro lunar clareia o pulsar, imaginar.
Seu sonhar.
Segue apenas a desfrutar por dentre a montanha mágica que esconde em si os segredos de todas suas dores, o ardor da descoberta é latente como uma rosa cor de sangue a cotejar.
As mãos tremiam, como se tocadas por anjos incandescentes, todos a festejar a vinda de mais um ser quimérico em busca das revelações até então escondidas.
Ecos de canções em lamúria e felicidade se espalhavam, criando uma atmosfera dispersa; ater-se ao semblante majestoso da figura onipotente diante ao santuário da dor que trazia em si, a cura para âmagos feridos, estende-se pela relva fria, em seu corpo e alma, o milagre da solidão.
Visão transcende diante da noite de desejos realizados, dores sepultadas e amores reavivados.
Tudo durante o caminhar até a montanha mágica que sempre existira em si.
Sobe até a montanha mágica de sua imaginação e sente o desejo realizado, pulsando em ti como um coração em desatino...

Eu.

Saturday, May 08, 2010

Esquinas

São em esquinas que te sondo
Quando o vento traça caminho em faces reclusas

São em esquinas que te vejo
Quando o sol encosta-se e às janelas se pendem
É nessa hora que te clamo
Quando se bordam nomes em frestas de porta

São em esquinas que te filtro
Quando se calam lábios em ruas vazias

Em esquinas onde se desatam nós
Abrocham-se mãos em pedestais de mármore
Retraem-se pernas em vidros de cristal
Afagam-se olhares em cortinas de linho

São em esquinas que te sondo
Quando debruço meu dorso franzino em seu peito inclinado

Deite
O peito
Calmo
Sereno
Sob minhas pernas...
São nessas esquinas de coração azulado que te tenho.

Eu.

Sunday, May 02, 2010

A Borboleta azulada que viveu mais de cinco dias

Porque essa inclinação em ficar te enchendo de confissões minhas?
Acredito em suas palavras. Confio em você.
Gosta da garota de pele alva.
Olhar sinuoso.
Cabelos vermelhos.
Unhas negras.
Anda com poesia nos olhos.
Senta-se no banco da praça mais deserta, debaixo da árvore mais velha, sob a sombra mais intensa.
Depois da chuva forte, bate o sino da igreja, vazia, ás 18:00 horas.
Caminha através de pessoas que não vê.
Detêm-se a pequenos detalhes de sombra e luz.
Passa por ela mais uma vez a borboleta que vive já há cinco dias.
Bate as asas azuladas.
Brilham.
O tom do céu muda com as horas.
Carrega na bolsa de coro desbotado o livro predileto.
Na pagina trinta e sete tem a poesia que mais gosta.
Rilke.
Solta-se.
De impulso derradeiro capta olhares das nuvens.
Agora límpidas.
Aprecia figuras de anjos medievais.
Direciona-se e debruça sobre o banco de madeira o corpo franzino.
Braços abertos.
Olhos de ferrugem.
Aquele olhar de cera que atravessa o sol.
Só a solidão ausenta-se.

Eu

Tuesday, April 27, 2010

Descompasso

Denunciadores eram os olhos verdes como a grama de um jardim suspenso, lábios trêmulos.
Aperta as mãos sobre o peito.
Descompasso.
Depois à volta para a casa de tijolos a vista.
Sinuosa.
Só desejo imensamente que ela me ligue em hora avulsa.
Tudo se transforma.
Do gelo se faz fogo.
Na morte a vida.
Desses dias e ruas ainda restam lembranças.

Deve-se “nascer” a cada segundo
Foge das dores cotidianas
Queima em felicidade, abraça o mundo!

Eu.

Ele

“Eu gosto da humanidade. O que eu não suporto são as pessoas.”

“Mas o amor não existe para fazer a gente feliz?”

“Nenhuma sensação no mundo é tão boa quanto a de alguém que acabou de se livrar de uma obrigação.”

“Aquela menina é tão linda… e ainda por cima tem cheiro de papelaria.”

“Irmãos e irmãs jamais deveriam pertencer à mesma família.”

“Não falei que tô apaixonado por ela, simplesmente disse que gosto do chão que ela pisa.”

Por: Linus van Pelt (By: Peanuts)

Wednesday, April 21, 2010

Franzino

O Sol de intensidade tênue perpassa a fresta da janela com formato oblíquo.
Aquece espaços, até então intocáveis, abraça o corpo franzino diluindo-se como beijos de saudade.

Eu.

Tuesday, April 20, 2010

Lábios/Luz

Estendeu seus lábios até os meus.
Como dia e luz recolhe-se, e noite será outra vez.
Só luz nos lábios teus e meus.


Eu.

Monday, April 19, 2010

1º de Maio

Andar, andar, e apenas andar-me sem nada, no vazio das horas
Flores na porta dos sonhos, sem cores
Molduras ofuscadas, vivenciadas
Vidas, amores...

Desliza sobre o ventre da noite
Miudezas de um dia caustico
Na simetria da aurora rachada
Embalo-me sou sonho senil...

Dessa quimera translúcida, o porvir afoga
Os campos, esses fartos de grãos
Ensejos, bocejos, seria delírio matinal?
Que assim seja


Eu.

Thursday, April 08, 2010

Afetividade

A aplicabilidade em relação às ditas práticas Humanas e suas relações, seja de conduta ética, moral ou afetiva se mostram inaplicáveis, a partir da complexidade que nos cerca. Criemos então "mundos paralelos" e utópicos de conduta, sejamos felizes e amorosos em um mundo contemporâneo de sonhos e devaneios.
O amor salva!

Eu.

Monday, April 05, 2010

Red

Todo dia quando desço aquela rua estreita, sem rumo nos olhos, desfeitos os cabelos ralos por um vento matinal que vem e vai, a indagação sempre é a mesma, porque tenho essa mania em decorar as cores do céu? Os tons de azul nunca são os mesmos.
Ainda assim prefiro o cinza. Cor nefasta. Tenho apreço por tons e cores.
Tudo é relevo sobre o fundo branco dos olhos. Esses degraus e seus espaços mínimos desaceleram olhares. Ando vigiando mãos disformes ao vento.
Pássaros que voam com suas asas quebradas, retorcidas.
Palavras desbotadas na ponta da língua. Carimbos em escadas rachadas.
É o que vejo todos os dias nessa descida matinal. Olhos fulminantes vigiam-me por detrás das janelas sem vidro.
Permaneço inquieto, ainda sem palavras.
Ainda há algo de mim naquelas pálpebras azuladas.

Eu.

Saturday, March 27, 2010

Persona

Noite branca.

Quisera eu ter aquele tamanho, os braços eram longos e reforçados, não tinha apreensão nos olhos, esses eram vultosos e sagazes. Guilherme não tinha mais cabelos longos como antes, mesmo trabalhando de sol a sol, suas mãos ainda pareciam macias e firmes. Esticava o corpo todas as manhãs na varanda da casa. Não era desses garotos que cultuam o corpo, nem precisava... Morava com os tios, tinha cumplicidade com a tia de nome Vilma, dava-lhe todo carinho que nunca teve dos Pais - Fato esse que tentava deixar passar despercebido, mas seus olhares tristes eram denunciadores. Tentava desesperadamente esconder-se atrás de certa arrogância e impessoalidade. Parecia ter poucos amigos. Muito poucos. Talvez não por opção, quem sabe? O lugar sagrado eram as quatro paredes brancas daquele quarto frio, mas aquecido por olhares dela. Cheio de adereços em cristais e gesso, cuidadosamente lustrados. Era cuidadoso.
Excêntrico às vezes. O fato de nunca abrir as janelas deixava um mau cheiro, nem as cortinas pareciam serem estendidas, algumas frestas de luz adentravam por espaços da entrada que dava para um sótão, escuro e gelado. Poucas vezes subia ali...
Mantinha coleções de álbuns de vinil, alguns nunca ouvidos, os preferidos estavam na parede, olhava como se olha aquém se quer... Ao lado a coleção de borboletas azuis, a qual trazia desde a infância, recordação do Pai falecido. Tentava recompor as asas destruídas pelo tempo, assim como fazia com sua mãe, durante longas noites. O retrato em cima da cama trazia uma mulher austera, com grande vivencia. Sumiu em um dia de chuva sem deixar vestígios. Não levou nada, apenas a roupa do corpo. Estranheza total. Guilherme matinha um saudosismo ácido. Como quem só olha de dentro para fora, assim via tudo se delinear em sua frente, pequenos formatos tomavam proporções enormes. Quem me dera desvendar o que aquele garoto trazia no peito, o que fazia seus olhos brilhar por tão pouco, pareciam tênues seus momentos de felicidade. Deveriam ser...
É isso! Guilherme só olhava de dentro para fora-tudo partia de uma sensibilidade frágil e extrema. Não era percebida assim, por olhos nus, precisava ser “descoberto”, ter seu interior decodificado. Eram Poucos a perceber. Mesmo assim aqueles olhos sempre pareciam cerrados, olhares tímidos e sorrisos amenos. Timidez? Talvez... Tinha as mãos geladas. Sempre mudando de lugar os móveis do quarto.
Nada ficava fora do lugar.
Só pessoas especiais também podiam ocupar aquele espaço.
Transformara aquele ambiente em algo intransponível. Único e passível de seus devaneios. Alguns segredos deveriam estar contidos ali? Brigava com Bruno o primo mais novo, por sempre estar espiando pela fresta da porta, às vezes em um descuido deixava entreaberta. Trabalhava com Tio em oficina mecânica, dava duro sem reclamar. Aos vinte e dois anos tinha acabado o colegial, mas ainda não tinha dado um rumo na vida, muitas indecisões assolavam seus pensamentos, esse era um dos grandes motivos para ser diariamente atormentado pelo Tio. Homem de poucos sorrisos. Matuto e exigente sempre dava tarefas difíceis a Guilherme-algumas embora normais-para Guilherme pareciam definitivamente impossíveis de serem cumpridas. Mas sempre vazia o possível para servi-lo. Mesmo contrariado dava tudo de si, era assim em tudo o que se propunha a fazer. Ir até o mercado era uma dessas tarefas difíceis, não gostava de cruzar as avenidas, preferia as vielas e ruas estreitas, certo que ali haveria pouco movimento. Alguns olhavam com certo espanto, porque aquele garoto chamava-lhes atenção? Não pela estética, talvez transpassasse certa inquietude que era disseminada por onde era visto, por onde passava. Afinal em cidades pequenas todos deveriam se conhecer e assim se dar bem. Mas isso não acontecia. Talvez aquele jeito fosse seu e de mais ninguém. Apenas seu jeito de ser. Andar descalço na grama gelada. Debaixo do cipestre amarelo, encostar os braços, estender as pernas e roer as unhas.
Usava camisetas com pétalas bordadas.
Os finais de semanas eram dedicados a falar de amenidades pra si mesmo.
Coisas simples para muitos, para Guilherme tinham dimensões extremas.
Noites que pareciam cinza, através de seus olhos eram brancas e plácidas.
Era particular e privado seu mundo.
Pequeno grande mundo.

Eu para a Persona de Guilherme.

Jazz

A chuva fina e silenciosa veio de repente; fiquei todo molhado, foi proposital.
Adorei. Ela ainda escorre pelo vão da janela e faz um barulho de "Jazz" batendo na calha.
Ela, a chuva.

Eu.

(Passagem/Vida)

Alguns minutos ou segundos podem ser tão valiosos quanto uma vida toda sem poesia, palavras e silêncio.


Eu.

Wednesday, March 17, 2010

Last night I dreamt..

Tempo de respirar fundo, pulmões abertos para o céu.
Tempo de dar menos tempo à pseudo-preocupações, de sorrisos largos pela manhã, intensos a noite. Tempo de novos amigos, amores e fotografias na parede, tempo de novas canções e poesias, novas cores e filmes.
Tempo de confiança e esperança.
Euforias.


Eu.

Monday, March 08, 2010

Mulher

A vida
Substantivo femenino
Eterna arte menina
Esculpida suavemente
Construida e concebida
Ah! As mãos firme da mulher...

Mãos embebidas de justiça e desejo
Quanta força, garra e ousadia
Negra, branca, gente de um país qualquer
Zildas, Teresas e Marias
Ligação e seiva do uviverso
É o femenino, é tua, a vida mulher!

Luiz Carlos Paixão da Rocha.
[Uma pequena homenagem às mulheres que cotidianamente ajudam a construir um mundo melhor].

Sunday, March 07, 2010

Branco dos Olhos

Pálido é o espelho que reflete sua hora
Das cortinas lilases que se sobressaem em transe
Ao avesso do espinho que sangra!
Despejam-se nas mãos esperanças remotas.

Cravou-se no varal das incertezas
Debruçou-se em línguas infalíveis
Denunciado foi no branco dos olhos.


Eu.

Saturday, March 06, 2010

Tons

Tenho visto nuances da vida em preto e branco, monocromáticos são os tons.
As palavras têm pele, as sinto, transpiro.
Assim, as liberto!


Eu.

Thursday, February 25, 2010

Caminhos.

São tortuosos alguns caminhos, não é?
Mas talvez esses são os que nos apontam alguma real direção.
Fazer de caminhos ácidos ou ingrimes, caminhos de nuvens ou de algodão.


Eu.

Wednesday, February 24, 2010

Cores.

Sublime é o céu que habita em mim, posso acrescentar das cores, todas.


Eu.

Saturday, February 06, 2010

Ontem II

Deitado em seu colo como criança quando se aninha em coração de mãe.
Como árvores que inclinam-se com a ventania intensa.
Do dia de hoje, só lembro-me de nós no dia de ontem...
Foi singular, puro e terno, como deve ser.
Sempre.

Ontem.
Eu.

Tuesday, January 12, 2010

Lucidez

Por vezes minha dita "lucidez" soa loucura anunciada.
Quero ser/serei mais sonhos que homem.
Sonhos de ceda, carmim ou ácido, sonhos.
A concretude desses cabe a mim, a nós...

Eu.