Monday, August 05, 2013

Borboleta azulada

Por que essa inclinação em ficar te enchendo de confissões minhas? Acredito em suas palavras. Confio em você. Gosta da garota de pele alva. Olhar sinuoso. Cabelos vermelhos. Unhas negras. Anda com poesia nos olhos. Senta-se no banco da praça mais deserta, debaixo de uma árvore ressequida, sob a sombra mais intensa... Depois de uma chuva forte, bateu o sino da igreja, estava vazia, às 18:00 horas. Caminha através de pessoas que não vê. Detêm-se a pequenos detalhes de sombra e luz. Passa por ela mais uma vez uma borboleta azulada que vive já há cinco dias... Bate as asas azuladas. Brilham. O tom do céu muda com as horas. Carrega na bolsa de coro desbotado o livro predileto. Na página trinta e sete tem a poesia que mais gosta. Rilke. Se solta. De impulso derradeiro capta olhares das nuvens. Agora límpidas. Aprecia figuras de anjos medievais. Direciona-se e debruça sobre o banco de madeira o corpo franzino. Braços abertos. Olhos de ferrugem... Aquele olhar de cera que atravessa o sol. Só a solidão ausenta-se... Ele.