Wednesday, December 09, 2015

Aquém

Quantas vezes se morreria até chegar à metade da vida? Pensava ele: é de metade em metade que nos enchemos de vida, ou até duvida-se dela...

O que teria feito quando ninguém o via? Talvez só assim fosse si mesmo... 
Na ausência de tudo; o todo lhe des/completava, seria completude apenas quando não era visto...


Ele.


Saturday, October 31, 2015

Atônito

No mundo contemporâneo e dito pós-moderno, pensar e/ou questionar em demasia esta intrinsecamente ligado a volumosas crises existenciais.  Portanto, teriam sorte os atônitos?


Ele.



Thursday, September 03, 2015

Avesso

A quem diga que a vida se pauta apenas das grandezas realizadas ou vistas, meu avô Alvino, dizia o contrario, essas fazem parte, as minuciosidades é o que realmente importam. Ele ainda dizia: Sabe-se tanto sobre o homem, porém, pouco ainda se faz por ele, dizia não com essas palavras, é claro, mas lembro-me bem de algumas de suas observações.
Olhamos tão pouco aquém, depois de pensar repetidamente sobre isso, cheguei à conclusão que não temos tanta possibilidade de amplitude como pensamos ter, isso pode ser desenvolvido, não é um trajeto fácil, nunca será.
É claro que as conquistas se pautam nos anseios de cada um, isso é um alento para os que vislumbram algo diferente, afinal, o que queres pra sua vida?
Com certeza não será o mesmo que o vizinho ao lado deseja, mais ou menos não apenas coexistem, sim, opções, oportunidades e caminhos escolhidos de forma distinta sempre ocorrerão.
Por que só conseguimos navegar nas incertezas quando estamos imersos nela? São questionamentos que muitas vezes não encontram respostas, talvez não existam, se existem ainda as acho muito precárias.
Tenho uma vontade latente em mim de poder passar a sentir apenas o ‘ meu redor ’, eu sempre escrevo e falo sobre, talvez eu me repita justamente pelo fato de nunca poder fazê-lo como eu realmente queria. Acho que poucas vezes eu realmente saio de mim mesmo, suponho que essa transição seja necessária para poder sentir como as coisas são sentir através dos poros da alma, abster-se de um todo.
Já tentou observar como as coisas são fora de você? Eu tento. Já saiu de si mesmo?  O que não consiste em apenas ver, mas sentir.
Certo dia cheguei a outra conclusão, eu sempre depuro minhas conclusões, porém, sempre as acho vazias, concluir é uma soma de vazios. Mais uma dessas conclusões apressadas do dia a dia, penso que tal exercício é impossível de se fazer por inteiro, mas mesmo assim posso lhe passar um pouco do que me cerca nesses últimos tempos, lembrando que o tempo é algo tão impreciso, mas mesmo assim fazemos de tudo para precisa-lo. O que seria de nós sem esse tempo contável?

Desde as ultimas palavras que lhe enviei ou trocamos pessoalmente, muito ainda esta lá, naquele mesmo lugar, mas nunca da mesma forma, o céu, a rua, a terra, a garota que passa com os pães às 16 horas das tarde, a panificadora cheia de pessoas sedentas pelo cigarro que mata aos poucos, ultimamente a minha malevolência em acordar cedo, muito do que eu gostaria de lhe falar pessoalmente e acabei não falando, possivelmente nem deva lhe falar, enfim, tudo ainda esta lá, mas nunca da mesma forma. Muito não lhe falei, muito você não me falará, somos confidentes fiéis de nós mesmos.

Wednesday, July 29, 2015

Pausa para absorção do nada

Depois de passar pela sala duas vezes, tomou coragem e abriu a geladeira novamente, estava lá! Aquela garrafinha de água, tão desejada e devidamente guardada. Após um dia estafante, esse simples ato tomou proporções gigantescas. Matou a sede. Quais são suas pequenas ações diárias que lhe completam, satisfazem sua volúpia? Por que não seriam as menores? Sempre serão as menores, as mínimas, nem sempre praticáveis. O refresco causou-lhe impacto, já não sentia mais a língua seca, amarrada. Sentiu a água descendo levemente pela garganta, trazendo uma satisfação impar, um belo exemplo das maravilhas mínimas que o dia a dia lhe confiava. Mais uma vez levou mais de duas horas cortando a grama, ele sempre escrevera sobre o crescer da grama. Dizia repetidamente que as minucias o traduziam. Ainda sobre a grama, aquele crescer sempre o interessou, assim como tantas coisas pequenas que ocorriam ao redor, muito mais do que as grandes. Ela crescia e alternava-se desmedidamente com o clima. A grama aparada lhe proporciona uma visão linear de sua beleza, o verde ficava mais rico, reluziam ao sol, muitos insetos fugiam de maneira abrupta. Continuava cortando-a com a mesma maquina, a qual tem uma velocidade considerável, isso reduzia o tempo de trabalho, era muito eficaz. A roseira podada, agora florescia, assim como algumas plantas em vasos menores, eram da sua mãe, ele sempre molhava mais que o necessário, não gostava de molhar os pés, assim como não gostava de textos com muitas vírgulas. Olhares desprovidos de profundidade não lhe cativavam. Tudo sempre foi apenas uma pausa para a absorção de nada em especial. O nada crescia dentro si como borboletas lhe afagavam o estomago. Ao redor do muro, o qual circundava a casa, uma serie de “pingos de ouro” dos quais a maioria tinham uma cor verde rubro, era intenso, desenhavam formas dispares sobre a calçada, fintavam o muro, necessitavam sempre de um olhar diferenciado. Algo mais apurado. Era sempre uma pausa para aquele cortar de grama e também para aquela absorção do nada. 


Saturday, June 27, 2015

Subsolo

A quem diga que a vida se pauta apenas das grandezas realizadas ou vistas, meu avô Alvino, dizia o contrario, essas fazem parte, as minuciosidades é o que realmente importa. Ele ainda dizia: Sabe-se tanto sobre o homem, porém, pouco ainda se faz por ele, dizia não com essas palavras, é claro, mas lembro-me bem de algumas de suas observações. Olhamos tão pouco  aquém. Por que só conseguimos navegar nas incertezas quando estamos imersos nelas?! São questionamentos que muitas vezes não encontram respostas, talvez não existam. Tenho uma vontade latente em mim de poder lhe passar o ‘ meu ao redor ’, o que não consiste em apenas ver, mas sentir. Certo dia cheguei a conclusão que tal exercício é impossível de se fazer por inteiro, mas mesmo assim posso lhe passar um pouco do que cerca-me nesses últimos tempos, em sua maioria são todos inventados, é uma espécie de invenção que funde-se com a realidade, suponho que muito de nossas vidas são invenções em cima de percepções reais, ou achamos que sejam. Tenho maior facilidade para as desimportâncias, essas que achamos ser tão importantes, eu tenho chamado de desimportantes, pois diante de certas situações, elas pode diluir-se. Alguns exemplos poderiam ser citados: a polidez me cativa, como me cativa à borracha com cheiro de maçã, lembro-me de uma Professora do ensino Fundamental, chamava-se Aurea. Eu ainda continuo enterrando os peixes mortos do aquário. Estou pensando em deixar essa pratica talvez voltar em outro momento, ainda resta um bom cardume, cores diversas, é frio, o aquecedor mostra-se impreciso, o termômetro quebrou, vai sendo preenchendo com proteção em sua altura, assim forma-se um espaço com maior aquecimento para os peixes. O último deles foi envolto a um jornal, tinha alguns anos de existência, se foi, assim como se vão pessoas, novas ou velhas. Todos.  A resignação toma conta, observa-se em detalhes a finitude de um todo. Não seria muita pretensão nossa no vermos mais que um suspiro? Frágil. Nada mais. 


Tuesday, June 02, 2015

Apenas



Definir algo indefinível é como contemplar o não contemplável, completar o incompleto, mensurar o imensurável, propor infinitude ao finito.
Diante de (in) definições, o amor não é definível, e sim vivenciado cotidianamente....


Wednesday, April 22, 2015

Branco dos olhos

   

Quando a noite se estende como pluma celestial em chão de giz; os olhos atravessam o céu. 

Em montanhas debruçadas ele descobre formas: Olhos, lábios, pálpebras...

Cravou-se no varal das incertezas.

Debruçou-se em línguas infalíveis.

Denunciado foi no branco dos olhos.

Thursday, April 02, 2015

A Montanha mágica


Caminhar pelo vão da tarde lacunar sem motivos de partida ou chegada, apenas caminhar... Obstinação dolorosa em vislumbrar o fim da tarde. Adentra ao cilífero inebriante, a veracidade sonhadora a qual jamais pensou em deixar. Os caminhos são tortuosos e íngremes como os sonhos que lhe acompanhavam, olhos avistam a distância, a grama verde e macia como face nunca tocada.
Os pés já em ardência; o fim da tarde traz consigo a visão onírica de uma montanha mágica cercada por ciprestes e sombras a enfeitar a visão daquele caminhar.
O astro lunar clareia o pulsar, imaginar. Seu sonhar.
Segue apenas a desfrutar por dentre a montanha mágica que esconde em si os segredos de todas suas dores, o ardor da descoberta é latente como uma rosa cor de sangue a cotejar.
As mãos tremiam, como se tocadas por anjos incandescentes, todos a festejar a vinda de mais um ser quimérico em busca das revelações até então escondidas.

Ecos de canções em lamúria e felicidade se espalhavam, criando uma atmosfera dispersa; ater-se ao semblante majestoso da figura onipotente diante ao santuário da dor que trazia em si, a cura para âmagos feridos, estende-se pela relva fria, em seu corpo e alma, o milagre da solidão. Visão transcende diante da noite de desejos realizados, dores sepultadas e amores reavivados. Tudo durante o caminhar até a montanha mágica que sempre existira em si. Sobes até a montanha mágica de sua imaginação e sente o desejo realizado, pulsando em ti como um coração em desatino... 

Ele.

Thursday, March 19, 2015

Paralis

Silêncio oportuno...
Tão eloquente quanto um discurso sem "substância".
Avesso a futilidades mil...

Eu.

A janela e a Persiana

Do alto daquela janela é possível perceber os transeuntes que passam na avenida movimentada, acometidos pelo tempo e hora, a pontualidade que a todos consome é nítida como as nuvens cinza que circundam o céu rebuscado. Daquela janela ainda restam resquícios de pingos da chuva, que passou logo pela manhã; com pó acumulado, do lado de fora, borrou o vidro. Deixou o clima frio e aconchegante, aqueceu seus pés com meia e sapato descolorido. Esse clima tardiamente invernal traz consigo sutilezas, apegos e liberdade assistida. A Insistente ideia de “nadar contra a maré” não foi abandonada, apenas repensada, trilhar novos caminhos não significa necessariamente abandonar os já trilhados, o suor têm seu preço e a recompensa é duradoura. Recuar alguns passos para futuramente andar vários adiante, pode ser uma lógica. Seus olhos estão direcionados para a subjetividade, a concretude pode ser pura utopia, ou não, o caminho a percorrer é a meta. A relação com seus pares em determinados momentos torna-se difusa, sempre foi, sempre será, talvez esse não seja o aspecto a ser ressaltado, mas sim sua absorção e relação com o meio. Alguns padrões nasceram prontos, outros devem ser relativizados. A janela angular tem extrema proximidade com aquela persiana que cobre seus olhos em dias e noites de apreciação, o ato de afrontá-la, para assim poder vislumbrar um mundo de possibilidades, com suas mesmices, fugas e audácia, proporciona a recusa em optar por meios ilícitos com os quais a maioria pensa e sonha em seguir, tudo não passa de uma opção barata.“A verdadeira” opção cerca-se de abstração do meio, improvável para muitos, opção para poucos. Esse limiar é cinza e azul, como os dias que se observa por detrás daquela persiana. A  janela é apenas o ponto de partida, à ação é o impulso dos olhos, o que captar? Por quê? Abstrair-se ou não? As respostas estão na retina dos olhos, na racionalização de si mesmo, tarefa árdua e complexa. Naquele dia, racionalizou e apenas decidiu mudar o ângulo de visão, abrir a persiana e  perceber se ainda escorriam pingos de chuva na janela...

Ele.

Esquinas

São em esquinas que te sondo
 Quando o vento traça caminho em faces reclusas 
São em esquinas que te vejo 
 Quando o sol encosta-se e às janelas se pendem 
É nessa hora que te clamo 
Quando se bordam nomes em frestas de porta 
São em esquinas que te filtro 
 Quando se calam lábios em ruas vazias 
 Em esquinas onde se desatam nós 
Abrocham-se mãos em pedestais de mármore 
Retraem-se pernas em vidros de cristal 
 São em esquinas que te sondo 
Quando debruço meu dorso franzino em seu peito inclinado 
Deite O peito Calmo Sereno Sob minhas pernas... 
É nessas esquinas de coração azulado que te tenho



Ele.

Tuesday, March 10, 2015

Slowdive



É como renascer ao som de anjos incandescentes, inebriantes, lampejos de sonhos a beira do mar. Não há poesia que marque a volta dessa banda que é algo singular no cenário do Indie Rock. 
Em dias onde se espalham pela rede inúmeras bandas que de "alternativas" não têm nada, a não ser
a mesmice e redundância como característica, a volta do Slowdive, é sem sombra de dúvidas algo a ser festejado. Sobre a alcunha de subgêneros como Shoegazer e/ou Dreampop, talvez a simbiose entre ambos. Rachel Goswell — vocals, guitar, Neil Halstead — vocals, guitar, e seus asseclas, Nick Chaplin — bass , Christian Savill — guitar e Simon Scott — drums, nos brindaram com uma serie de shows ao longo de 2014, festivais como Primavera Sound, Route du Rock, além de uma extensa Tour por E.U.A e Europa, receberam a banda. 
América do Sul? Ainda não, quem sabe um dia, já que a banda prepara material novo para incorporar a sua diminuta, porém bela discografia .
Just for a Day (1991) Souvlaki (1993) Pygmalion (1995).
Que assim seja, amém.

Tuesday, February 03, 2015

Princípio

Céu e nuvens me entorpecem, tenho princípio de ser mais do que esperar. 
Aparelhado para ouvir mais do que falar. O silêncio me cativa, assim como as coisas mínimas; tudo
têm cor clara e nasce a cada segundo.... 

 Ele.