Wednesday, July 29, 2015

Pausa para absorção do nada

Depois de passar pela sala duas vezes, tomou coragem e abriu a geladeira novamente, estava lá! Aquela garrafinha de água, tão desejada e devidamente guardada. Após um dia estafante, esse simples ato tomou proporções gigantescas. Matou a sede. Quais são suas pequenas ações diárias que lhe completam, satisfazem sua volúpia? Por que não seriam as menores? Sempre serão as menores, as mínimas, nem sempre praticáveis. O refresco causou-lhe impacto, já não sentia mais a língua seca, amarrada. Sentiu a água descendo levemente pela garganta, trazendo uma satisfação impar, um belo exemplo das maravilhas mínimas que o dia a dia lhe confiava. Mais uma vez levou mais de duas horas cortando a grama, ele sempre escrevera sobre o crescer da grama. Dizia repetidamente que as minucias o traduziam. Ainda sobre a grama, aquele crescer sempre o interessou, assim como tantas coisas pequenas que ocorriam ao redor, muito mais do que as grandes. Ela crescia e alternava-se desmedidamente com o clima. A grama aparada lhe proporciona uma visão linear de sua beleza, o verde ficava mais rico, reluziam ao sol, muitos insetos fugiam de maneira abrupta. Continuava cortando-a com a mesma maquina, a qual tem uma velocidade considerável, isso reduzia o tempo de trabalho, era muito eficaz. A roseira podada, agora florescia, assim como algumas plantas em vasos menores, eram da sua mãe, ele sempre molhava mais que o necessário, não gostava de molhar os pés, assim como não gostava de textos com muitas vírgulas. Olhares desprovidos de profundidade não lhe cativavam. Tudo sempre foi apenas uma pausa para a absorção de nada em especial. O nada crescia dentro si como borboletas lhe afagavam o estomago. Ao redor do muro, o qual circundava a casa, uma serie de “pingos de ouro” dos quais a maioria tinham uma cor verde rubro, era intenso, desenhavam formas dispares sobre a calçada, fintavam o muro, necessitavam sempre de um olhar diferenciado. Algo mais apurado. Era sempre uma pausa para aquele cortar de grama e também para aquela absorção do nada.