Tuesday, November 29, 2011

Passividade e utopia

Em suma, qualquer tipo de violência entre ditos SERES HUMANOS e/ou contra ANIMAIS é detestável, embora a HISTÓRIA nos mostre que a utópica passividade generalizada, esta longe de ser, infelizmente ou felizmente para muitos. Agora, paz seletiva, isso não, é hipocrisia, paz e não-violência em todas as esferas, utopia minha, é claro, com uma boa dose de sarcasmo e hipocrisia.


Eu.

...

Façamos o pacto da mediocridade em detrimento da boa conduta e afinidade com alienados.
ORDEM E PROGRESSO, e salve a hipocrisia humana.


Eu.

Wednesday, November 23, 2011

Ampulheta

Desde o último dia do ano de 1989 aquele garoto de olhos castanhos fogo, cabelos e braços soltos, assim ao vento... Fez um coração no braço esquerdo, ficou como um selo. Herança de uma garota que vestia negro. Ambos vestiam. De cabeça baixa, lábio carnudo usava sapado de coro, tinha corpo franzino. É certo que não dava importância às reuniões de família, só em caso extremo, tinha bom relacionamento com os pais, embora às vezes passasse despercebido por todos, desleixado? Talvez... Enquadrar-se a padrões do censo comum sempre parecia ser algo difícil. Não o fazia. Tinha sorriso tímido. Descrevê-lo é algo complicado, minucioso. Guardava folhas secas em uma agenda lilás. Todas de uma árvore ao fundo de uma casa com tijolos a vista. A casa era vazia, noutro lado da cidade, ninguém ia até lá, apenas Léo, o nome que lhe foi dado em homenagem a um Tio já falecido. As anotações eram feitas a lápis. Léo tinha os olhos sedentos. Um hábito estranho de sentar-se ao meio-fio. Perceber o movimento retilíneo das formigas gigantes. Adorava dias de chuva, mas abominava o guarda-chuva. A janela do seu quarto dava para o céu. Fato esse que lhe proporcionava aventurar-se com as cores da palheta escondida debaixo da cama. Ensaios noturnos. Madrugada adentro. Demorou um bom tempo para tomar essa atitude. Suas decisões costumavam serem lentas e arrastadas. Fazia orações todas às noites.
Certo dia resolveu dar vida às tintas deixadas pelo seu vovô Nicolau, um Senhor distinto que viveu longos 98 anos, todos dedicados a ensinar a arte. O interesse mesmo que tardio abraçou-o. Estava ali incrustado. Com vazão repentina liberou-o como a um pássaro.
Aliada as canções e livros, tomavam seu tempo. Tentava preenchê-lo. Sentia extrema dificuldade em desfazer-se de adereços antigos. Sentia falta de alguém especial a qual conheceu naquele último dia do ano, casualmente. Foram acomeditos por olhares de canto em uma livraria central. Ali pesquisando novos títulos, percebeu escritas em mãos. Léo sorri discretamente. – Nossa! Faz poesias nas mãos? Abre as mãos, posso vê-las?
Desde então se tornaram inseparáveis. Quando juntos, como se fosse combinado, ambos traziam cravos nos bolsos e papeis de seda. Ela, uma garota com nome de Beatriz-mas seu nome de batismo era Anna, tentava incessantemente fugir das determinações paternas. De tom carvão debaixo dos olhos, as unhas curtas, sem cor, cabelos avermelhados e de olhar penetrante, não gostava de andar de mãos dadas. Adorava subir em cima de edifícios altos, estendendo os braços tentava pegar nuvens. Ambos em timidez velada. Ouvir canções doces parecia ser o grande programa. Gastar o tempo de forma a não percebê-lo-ficava claro que essa era a intenção. Abrochavam-se afinidades. Encontros confidenciais na praça da cidade, sem hora marcada. Sempre no mesmo banco de madeira. Quantas confissões foram ditas ali... Todas ao pé do ouvido, com vozes finas e sutis. Não existia mais o tempo. Não esse tempo que todos conhecem e a todos consome. Apenas as mudanças do céu e das nuvens eram notadamente percebidas. O tempo dos homens estava agora emboscado. Transcendências. Plantaram algumas flores naquele jardim de local discreto, rosas vermelhas, às vezes brancas. Algumas marcelas do campo.
Pulavam entre os vagões de um trem abandonado em dias de sol. Ali também trocavam postais da época vitoriana. Vinho tinto às cinco horas da manhã. Alguns hábitos tornaram-se insubstituíveis. Dessa maneira simples e tênue o tempo para Léo e Beatriz não existiu.
Foram três estações primaveris e um intenso inverno juntos. Tudo teve seu fim em certo dia solar, quando desabrochou um pedaço de céu, que já não era mais cinza, e assim o sol mostrou um de seus olhos.
Tudo existiu, mesmo não existindo.


Eu.

Thursday, November 17, 2011

Desejos

O azul das asas era anil, (ou próximo a esse tom) como um brinco de pena que flutuava na linha dos olhos.
O desejo te tocar seus lábios com os dedos finos era incessante...
Demora e não vêm.
Ainda que seja assim, que assim seja.



Eu.

Saturday, November 12, 2011

a m o r

O “Amor” é naturalmente egoísta, porém, se posto que realmente seja amor, sem aspas ou reticências, e sim, puro em si, será paradoxalmente "altruísta"


Eu.

...

Falo muito mais de mim quando escrevo o motivo?
Não sei...
Talvez a pretensão de anonimato perene.



Eu.

Tuesday, November 08, 2011

Vida.

Esse começo de noite traz consigo o soar de uma canção que lembra um amor que se foi.
Penso na complexidade humana e sua impossibilidade em amar e ser amado intensamente, será uma utopia o amor recíproco e eterno?
Altruísta.
Você tão distante que me indaga sobre amores, quem sabe poderá me responder...
Pois acabo de ver algo que achava ser eterno ir para muito longe, sem promessa para voltar, tento me fazer forte a cada nova manhã, mas não nasci com tal destreza, sim, pois imagino ser algo de suma importância em nossos dias atuais, lidar com amores fugazes que vão sem deixar um adeus digno de sua existência.
Para aqueles que não sabem lidar com as perdas de nosso dia a dia, um amor que se vai é como uma flor agonizante em um jardim que lhe prometeu vinda perene.
Talvez seja apenas para os fracos essa real dor que cala, definitivamente não sei, mas porque não senti-la? Tentando extrair-lhe o mais puro e perspicaz que haja em si, o futuro reserva-lhe promessas positivas, tão certas como o par de chinelos que me espera ao lado da cama todas as manhãs, é o amor que deposito em alguém que ainda não conheço quem sabe nunca venha a conhecer.
Mas não deve ser tão lisérgico assim caminhar por dentre asperezas de uma vida tão inconstante, complexa como a convivência humana.
“O mistério do Amor é maior que o mistério da morte”, já dizia um saudoso poeta, Oscar Wilde é seu nome.
Incessantemente nos mostra que a vida é um lindo caminho a ser trilhado, mesmo trazendo em si dores descompassadas em horas impróprias, que tanto nos calejam a alma e coração. Sinto falta de palavras de afeto a me cercarem por todos os lados. Pensamentos trasbordam de minha mente, dando vazão ao infinito sem credito algum. Teço um mar de quimeras, onde não se permite finitudes nem orações em vão, a noite brilhará, é certo como a próxima gota de chuva que molha mais uma vez o canto escuro do quarto.
A felicidade é forte e visionária, como o garoto da esquina que solta à pipa sem o vento necessário.
Junto o pó dos dias inebriantes, murmuro uma nova cantiga, lembro-me então que a vida deve ser intensamente vivida, dias passam, noites adentram, e meu coração se torna cada vez mais furtivo.
Solucivo.
Quem sabe no próximo segundo a vida vira do avesso, hoje a insônia sufoca, amanhã adormeço, devo seguir tenro, eloqüente e sensível como minha alma nasceu, andando sobre a grama verde, pés descalços, mundo árduo, mundo plácido é nessa (dis)solução que eu sigo.
Essa noite não te quero mais... Sobreviver em meio ao constrangimento de não ser convidado a entrar.
Com meus olhos direcionados sempre para o céu, eu continuo, eu continuarei...


Eu.

Wednesday, November 02, 2011

...

Nada mais estupefato, insosso que a trama da realidade.
Portanto, fuga é o que me recorre.


Eu.

Tuesday, November 01, 2011

Eles.

Debaixo do cipestre amarelo, encostar os braços, estender as pernas e roer as unhas, um medo, medo da espera...
Ela usava camisetas com pétalas bordadas, ele tinha cravo nos bolsos...


Eu.