Saturday, December 02, 2006




















Gilka Machado
Embora de teus lábios afastada
(Que importa ? - Tua boca está vazia ...)
Beijo esses beijos com que fui beijada,Beijo teus beijos, numa nova orgia.
Inda conservo a carne deliciadaPela tua carícia que mordia,Que me enflorava a pele, pois, em cadaBeijo dos teus uma saudade abria.
Teus beijos absorvi-os, esgotei-os :Guardo-os nas mãos, nos lábios e nos seios,Numa volúpia imorredoura e louca.
Em teus momentos de lubricidade,Beijarás outros lábios, com saudadeDos beijos que roubei de tua boca.


Ana Lúcia Sonhei em ser útil à humanidade. Não consegui, mas fiz versos. Estou convicta de que a poesia é tão indispensável à existência como a água, o ar, a luz, a crença, o pão e o amor". Essas palavras ecoaram pelo Rio de Janeiro, na segunda metade do século XX. Foram proferidas pela poetisa Gilka Machado, no crepúsculo de sua vida, toda dedicada à poesia. Patrona da cadeira nº 22 da AFCLAS, ocupada pela acadêmica Lydia J. de Azeredo Borges. Figura polêmica, carismática e, sobretudo, batalhadora, Gilka da Costa de Melo Machado nasceu a 12 de março de 1893, no Rio de Janeiro. Educada entre artistas, começou a fazer versos na infância, influenciada pelo poeta Hermes Fontes. Cultivou o verso livre, com estilo fortemente sensual, lançando a semente renovadora em nossa poesia. A ousadia de sua lira amorosa teve o efeito de um verdadeiro cautério, de um estímulo poderoso e salutar que, não raro, se voltou contra ela própria. Sua primeira coletânea, "Cristais Partidos", caracteriza-se por uma preocupação em ver o lado espiritual da vida. Os livros seguintes, "Estado d'Alma", "Mulher Nua" e "Meu Glorioso Pecado" são mais liberários, manifestando seu desejo de "viver somente sujeito às leis da natureza e aos caprichos do amor". Sua obra "sublimação" difere das anteriores, pela serenidade de tom, incluindo poemas de conteúdo social. Viúva aos 30 anos, lutou, arduamente, para sobreviver e educar os filhos, sem atender às soluções que repugnavam o seu pudor. Em 1965, ano do cinqüentenário de sua estréia, inseriu na antologia "Velha Poesia", grande número de inéditos que falavam de seus desenganos e na proximidade da morte. Faleceu em 12 de março de 1980.


Ausência tua
A ausência tua é uma presença estranha,a ausência tua a solidão me alinda;o silêncio parece-me que é, ainda,a tua voz que, em sono, me acompanha
A ausência tua torna-se tamanhaque se me faz uma presença infinda,pois na tristeza que meus nervos ganhasinto, de instante a instante, a tua vinda.
De ti todo o meu ser está tão cheioque me amo, que me afago, que me enleionuma indizível ilusão sensória...
E abro à tua saudade braços de ânsia,desafiando os poderes da distância,com teus beijos mordendo-me a memória.

(Gilka Machado)

AMAR
EU QUERO AMAR, AMAR PERDIDAMENTE!AMAR SÓ POR AMAR...AQUÍ...ALÉM...MAIS ESTE E AQUELE,O OUTRO E TODA A GENTEAMAR!AMAR!E NÃO AMAR NINGUÉM.
RECORDAR? ESQUECER?INDIFERENTE!PRENDER OU DESPRENDER?É MAL?É BEM?QUEM DISSER QUE SE PODE AMAR ALGUÉMDURANTE A VIDA INTEIRA É PORQUE MENTE!
HÁ UMA PRIMAVERA EM CADA VIDA:É PRECISO CANTÁ-LA ASSIM FLORIDAPOIS,SE DEUS NOS DEU VOZ FOI PRA CANTAR
E SE UM DIA HEI DE SER PÓ,CINZA E NADAQUE SEJA MINHA NOITE UMA ALVORADAQUE ME SAIBA PERDER...PRA ME ENCONTRAR.

Uma bela Poetisa, das simbolistas, a melhor!
Adoro-te!

1 comment:

Borboletas said...

Gilka Machado. Poesia intensa e profunda.
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( `·.¸
`·.¸ ) FiCA Bem.
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