Monday, April 05, 2010

Red

Todo dia quando desço aquela rua estreita, sem rumo nos olhos, desfeitos os cabelos ralos por um vento matinal que vem e vai, a indagação sempre é a mesma, porque tenho essa mania em decorar as cores do céu? Os tons de azul nunca são os mesmos.
Ainda assim prefiro o cinza. Cor nefasta. Tenho apreço por tons e cores.
Tudo é relevo sobre o fundo branco dos olhos. Esses degraus e seus espaços mínimos desaceleram olhares. Ando vigiando mãos disformes ao vento.
Pássaros que voam com suas asas quebradas, retorcidas.
Palavras desbotadas na ponta da língua. Carimbos em escadas rachadas.
É o que vejo todos os dias nessa descida matinal. Olhos fulminantes vigiam-me por detrás das janelas sem vidro.
Permaneço inquieto, ainda sem palavras.
Ainda há algo de mim naquelas pálpebras azuladas.

Eu.

No comments: